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Mostrando postagens de abril, 2026

Milei em seu pior momento

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  A A      Milei em seu pior momento A inflação perdura, o consumo despenca e o desemprego assombra. Em meio a escândalos, a retórica do presidente perde força – e ele nunca foi tão impopular. Mas esperar a implosão é arriscado: ultradireita só será vencida com alternativas Por  Fernando Rosso , no  El Salto  | Tradução:  Rôney Rodrigues Jorge Luis Borges dizia que os espelhos eram abomináveis, entre outras coisas, porque sempre devolviam uma ameaça. A suspeita inquietante de que o reflexo, a qualquer momento, pudesse começar a se independizar do corpo. Algo disso ocorre com o governo de Javier Milei. Ele mantém a pose, os gestos, a narrativa exaltada com que desembarcou na Casa Rosada. Mas o duplo já não obedece. O discurso avança por um lado e a experiência social por outro. Nessa separação começa o verdadeiro desgaste de um poder: formalmente não perde o comando, mas já não tem a capacidade de nomear o que acontece no país. Durante meses, ...

Cinema: O carnaval do fim do mundo

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  A A      Cinema: O carnaval do fim do mundo Documentário retrata o singular ano de 2021 em Olinda e Recife, quando a folia não saiu às ruas devido a pandemia – e o retorno dionísico do frevo em 2023. O obra explora o sincretismo cultural e religioso da festa e contada pelos olhos de quem a faz acontecer Por  José Geraldo Couto , no blog do  IMS Artífices da folia Ao contrário das grandes reportagens sobre o carnaval, que observam o espetáculo “de fora”, contando com a muleta de comentadores, “especialistas” e sabichões, aqui esse universo é desvendado “por dentro”, com as palavras e gestos de seus artífices: músicos, cantores, passistas, bonequeiros, porta-estandartes, foliões. É por meio deles que percebemos o sentido profundo do carnaval e de sua inserção orgânica na vida do povo. Toda a primeira parte do filme – o ano de 2021 – é filmada em preto-e-branco e tem um tom entre o melancólico e o esperançoso (“No ano que vem a gente volta”), alternando...

Precarização: As ruas brecam o lobby do algoritmo

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  A A      Precarização: As ruas brecam o lobby do algoritmo Entregadores têm vitória parcial: após protestos, Congresso adia votação de projeto que ampliaria a exploração. Luta ainda será árdua. Duas lideranças da categoria analisam retrocessos, revezes no Legislativo e como fizeram do asfalto sua mesa de negociação Em meio ao frenesi de Brasília, e com o Dia do Trabalhador se aproximando, a categoria mais afetada pela subordinação aos algoritmos resolveu fazer do asfalto seu palco outra vez. Em  mais de vinte capitais do país , dezenas de milhares de trabalhadores uberizados cruzaram a cidade nesta terça (14) para  brecar  os aplicativos — e, com eles, mais uma armadilha urdida pelo Centrão para favorecer as plataformas. O estopim foi o  Projeto de Lei Complementar 152  (PLP 152) — que, na avaliação dos movimentos de trabalhadores de aplicativos, funciona como um salvo-conduto para os poderes patronais das corporações, ao mesmo tempo q...

Estariam os brasileiros felizes com o trabalho?

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  A A      Estariam os brasileiros felizes com o trabalho? É preciso uma leitura crítica dos dados da recente pesquisa que mostra que 95% dos trabalhadores se declaram satisfeitos. Diante da informalidade elevada, qualquer emprego é visto como “superação” da falta de alternativas. Seria, então, uma adaptação à precariedade? O relatório  Retratos da Sociedade Brasileira 67 , publicado em abril de 2026 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com base em pesquisa presencial conduzida pelo Instituto Nexus entre 10 e 15 de outubro de 2025, com 2.008 entrevistados em todas as 27 unidades da federação (p. 7, 12), apresenta um panorama do mercado de trabalho brasileiro que, em primeira leitura, sugere satisfação generalizada, estabilidade ocupacional e baixa disposição para mudança entre os trabalhadores. A taxa de desocupação de 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025 (p. 8) e os 95% de satisfação declarada (p. 9) compõem uma narrativa confortável pa...

Chumbo na asa da “Águia Americana”

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  A A      Chumbo na asa da “Águia Americana” EUA sairão desmoralizados da guerra, militar e politicamente. País paga o preço dos atos de Trump – que não conteve a ascensão chinesa e se enfraqueceu eleitoralmente. Israel sabota a trégua negociada, do mesmo modo que fez contra o “Conselho de Paz de Gaza” O chumbo na asa da “Águia Americana” e o desgaste de Israel podem viabilizar algum tipo de acordo. Mas, a intrincada rede de disputas regionais e globais envolvidas, incluindo a China e a robusta resistência do Irã, indicam que a tendência é das tensões continuarem dominando o cenário político e militar no Oriente Médio nos próximos tempos. A iniciativa de EUA-Israel de voltarem a atacar conjuntamente o Irã e gerar mais uma guerra no Oriente Médio, reafirma uma histórica relação em que ambos têm objetivos comuns. Mas, há também diferenças entre os objetivos de Trump e Netanyahu. Para Israel, trata-se de facilitar seu caminho para dominação da chamada “Grande Isra...