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Bonsai econômico

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  A A      Bonsai econômico Alegoria de 40 anos de submissão aos mercados. Amputamos excessos. Refreamos impulsos. Disciplinamos os galhos que se rebelam. Nada escapa – só a desigualdade. E ainda assim, admiramos – como se fosse natural Dizem que o país precisa crescer. Desde que seja para um lado. Para quê mexer na mesa inclinada, se ela já facilita o jogo? Um conhece a declividade. O outro acredita na neutralidade das regras. Outros, mais zelosos, falam em crescer com responsabilidade. Há ainda os que preferem algo mais modesto: crescer pouco, mas crescer agarrado nas bordas do passado. Cultivando a economia como quem cuida de um bonsai. Amputamos excessos. Refreamos impulsos. Disciplinamos os galhos que se rebelam. Nada escapa. Só a desigualdade, que escorre — feito chorume — nutrindo galhos e exigindo mais poda. Há quem veja nisso um ideal. O sonho — bem passado, alinhado, bem contido. O bonsai não é pequeno por natureza. Ele foi sistematicamente reprimido. ...

Quando o futebol brasileiro perdeu sua essência?

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  A A      Quando o futebol brasileiro perdeu sua essência? Brasil, que viu craques nascerem da várzea, das quadras de bairros e campinhos de terra, hoje forma “empresários da bola” lucrativos. Eles despontam nos centros mercadológicos “de formação”. Esporte vive crise existencial – e o país, repetidas derrocadas E assim nascia o futebol mais bonito do mundo, feito de requebros de cintura, de ondulações de corpo e de voos de pernas que vinham da capoeira, dança guerreira dos escravos negros. Eduardo Galeano No coração de toda favela brasileira existe um espaço sagrado para os jovens periféricos . Pouco importa se é de terra batida, grama ou cimento. Os campos e as quadras de futebol constituem um dos poucos espaços nos quais os meninos podem existir plenamente . E foi nos campinhos de bairro que se forjaram os maiores jogadores brasileiros que o mundo já viu. Jogadores com muito talento e, acima de tudo, muita personalidade. Mas isso parece ter ficado no passado...

China X EUA: alternativas para reescrever a IA

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  A A      China X EUA: alternativas para reescrever a IA Em vez de utilizada no roubo de dados ou transformada em arma de guerra, a tecnologia deve servir ao interesse público. Uma IA de código aberto, antimonopólio, e que ao integrar diversos setores da economia beneficie a sociedade, existe e está em expansão Os Estados Unidos publicaram Winning the Race: America’s AI Action Plan (Vencendo a corrida: o plano de ação dos Estados Unidos para a IA), no qual a IA é enquadrada como uma competição de soma zero na qual os Estados Unidos devem alcançar “um domínio tecnológico global inquestionável e indiscutível”. Dias depois, a China divulgou seu Plano de Ação para a Governança Global da IA, no qual posicionava a IA como “um bem público internacional que beneficia a humanidade” e pedia um desenvolvimento inclusivo que apoiasse o Sul Global. Um comentarista descreveu a abordagem americana como “uma Doutrina Monroe digital”; a da China parecia um manifesto a favor do ...

A ferida e a máquina racista no século XXI

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  A A      A ferida e a máquina racista no século XXI Pensadora decolonial vê, na resistência palestina, um teste decisivo para a humanidade. Cresceu em meio às lutas de libertação africana. Aos 16, já figurava em relatórios policiais. Enquanto Vaticano pede perdão e “vigília” contra a escravidão, ela exige abolição real A 25 de maio de 2026, veio à luz a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV — um documento que, entre seus capítulos mais densos, contém uma frase que nenhum de seus predecessores havia pronunciado com tanta franqueza: “em nome da Igreja, peço sinceramente perdão.” O perdão é pela escravização. Pela cumplicidade das instituições eclesiásticas na montagem do aparato colonial. Pela legitimação, durante séculos, de práticas que o próprio documento admite terem sido “reguladas e, em alguns casos, autorizadas” pela Sé Apostólica a pedido de soberanos — os mesmos soberanos que financiaram a expansão portuguesa pelo Atlântico e pelo Índico. Hora...

Aluguel, retrato de um sequestro das cidades

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  A A      Aluguel, retrato de um sequestro das cidades Sonho da casa própria desmorona no Brasil. Imóveis viram ativos financeiros com plataformas como o Airbnb. E o poder público troca políticas habitacionais por “auxílio aluguel” precário. Quais são os caminhos para resgatar o direito à moradia digna? Paula Santoro em entrevista a Rôney Rodrigues Pode ser o retrato silencioso de uma transição habitacional? O sonho da casa própria, ainda alimentado por nove em cada dez brasileiros sem imóvel, vem naufragando para dar lugar a uma nova realidade: o aluguel. Em nove anos, o país viu o número de moradias alugadas saltar 54,1% — de 12,3 milhões (18,4% do total), em 2016, para 18,9 milhões (23,8%), em 2025. No mesmo período, a fatia dos imóveis próprios e quitados encolheu de 66,8% para 60,2%. A esperança de deixar o “perrengue” do aluguel e fincar raízes na segurança da casa própria afunda. Enquanto isso, nos últimos doze meses, o preço dos aluguéis subiu 13,5% — ...