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REPORTAGENS

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  A A      China: Moda, linguagem e revolução Ironia ao colonialismo, batalhão de camponesas e um balé revolucionário num… botton? Ao circular no cotidiano, moda pode transformar o corpo em suporte de memória, crítica e disputa simbólica. Às vezes, um pequeno acessório instiga muito mais que discursos oficiais… À primeira vista, a foto que ilustra este artigo mostra apenas um botton preso ao casaco. Pequeno, simples, quase discreto. Mas, como acontece muitas vezes na moda, o detalhe carrega história, memória e posição política. Esse acessório foi criado pela artista Tings Chak para um grupo de amigas estrangeiras e chinesas — do qual faço parte — que recebeu o nome provocativo “China Propaganda Chicks”, que pode ser traduzido como “as garotas da propaganda pró-China”. A piada não é gratuita. Ela responde a algo muito comum no debate ocidental: qualquer fala que não repita o discurso dominante sobre a China costuma ser rapidamente chamada de “propaganda”. O botto...

CULTURA

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  A A      Fogos e rojões: Há limite ético para a alegria? Eles são demonstração de poder sobre o espaço público. Provocam poluição química, queimadas, trauma acústico e sofrimento de animais. Por que insistir num hábito ultrapassado se já existem alternativas que produzem beleza sem violações, como drones luminosos? Título original:  Agressão convertida em celebração: a herança bélica dos fogos de efeitos visuais e rojões A queima de fogos de artifício e bombas  introduz no ambiente civil um tipo de contaminação que se aproxima mais de eventos explosivos de caráter bélico do que de qualquer ideia de celebração. O paralelo com a guerra não é retórico. Sustenta-se nos elementos químicos liberados, nas reações físicas e na lógica de devastação pontual que se repete, ano após ano, sob o manto da normalidade social. Do ponto de vista ambiental e toxicológico, os fogos dispersam no ar, no solo e na água uma combinação de metais pesados e compostos químicos ...

TECNOLOGIA

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  A A      Big techs: onde estão as fronteiras da soberania? Um artigo de César Bolaño convida o país a enxergar-se diante dos perigos de uma captura. Mostra por que a metáfora dos dados como o “novo petróleo” é perigosa. E como o Estado brasileiro perde controle sobre suas próprias estatísticas e capacidade de planejamento A disputa que define o século XXI não está num campo de batalha, mas na infraestrutura invisível de dados que movimenta o mundo. É nela que gigantes digitais constroem poder, governos tentam recuperar o controle perdido e países periféricos, como o Brasil, correm o risco de se transformar em meros fornecedores de matéria bruta informacional. Nesse cenário, o artigo dos pesquisadores César Bolaño e Fabrício Zanghelini surge como alerta urgente, desmascarando a ideia sedutora de que existe uma “nova economia de dados” conduzindo a humanidade para uma era de prosperidade tecnológica. O texto mostra que essa promessa é, na verdade, uma cortina de...

CIÊNCIAS

SAÚDE

MEIO AMBIENTE

SOCIEDADE

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  A A      Desigualdade, sintoma do fracasso da democracia? O cerne da profunda crise que a democracia atravessa é o abismo entre o palácio e o barraco. Sem atacá-lo, centros de decisão continuarão espaços abstratos, blindados por instituições que domesticam anseios populares para, depois, destruí-los A pergunta que a modernidade finge não ouvir é simples, porém fatal: quanto abismo social um sistema de iguais consegue suportar antes de se converter em um simulacro de soberania? O que chamamos de democracia hoje não é um projeto ético de liberdade, mas uma tecnocracia da gestão biopolítica: o Estado tornou-se o síndico de um condomínio de luxo cercado por periferias existenciais, onde o voto é um signo vazio, mas a vida permanece prisioneira de uma ontologia da sobrevivência. No Brasil, o que vemos não é uma disfunção, mas a estrutura atingindo sua hiper-realidade: a transformação da miséria em dado algorítmico e da política em um teatro de sombras onde o real f...