Postagens

EUA: A indústria para demolir sindicatos

Imagem
  A A      EUA: A indústria para demolir sindicatos Relatório aponta: empresas desembolsam 1,7 bilhão de dólares, por ano, para impedir que trabalhadores formem sindicatos. Quais as táticas de dispersão dos escritórios de advocacia? Por que a sindicalização, ainda sim, cresce? Quais as lições para o Brasil? Há um número que resume, com brutalidade contábil, a distância entre o direito formal e a vida real do trabalhador estadunidense: 1,7 bilhão de dólares. É o quanto os empregadores dos Estados Unidos gastam, por ano, contratando consultores e escritórios de advocacia especializados numa única tarefa — impedir que seus funcionários formem um sindicato. O dado não vem de panfleto militante. Vem de um relatório técnico do Economic Policy Institute, publicado com o LaborLab em maio de 2026, com metodologia explicitada em apêndice. Em 2025, a sindicalização nos Estados Unidos cresceu ao maior ritmo desde 2009 — sinal de que a população enxerga cada vez melhor os si...

No Pantanal, alerta para o ecocídio

Imagem
  A A      No Pantanal, alerta para o ecocídio Fora dos holofotes, maior superfície alagável do mundo vive seca severa. Incêndios criminosos do agro espalham-se. Vegetação dá lugar a pastos. Há risco do bioma desaparecer em 50 anos. Tarefa para 2026: construir a Bancada da Biodiversidade O Pantanal, “o reino das águas”, Patrimônio Nacional (Constituição de 1988) e Patrimônio da Humanidade e Reserva da Biosfera (ONU, 2000), é tradicionalmente considerado a maior planície alagada do mundo. Esse bioma transfronteiriço se estende por três países: Bolívia (53.320 km 2 ), Paraguai (8.520 km 2 ) e Brasil (151.134 km², segundo o IBGE 2017). i Com cerca de 65% desse bioma em território brasileiro no Mato Grosso do Sul e o restante no estado do Mato Grosso, apenas 5,2% do Pantanal brasileiro está protegido em Unidades de Conservação, ii embora possua uma densidade sem par de biodiversidade descrita: 124 espécies de mamíferos, sendo duas endêmicas, 325 espécies de peixes...

Bonsai econômico

Imagem
  A A      Bonsai econômico Alegoria de 40 anos de submissão aos mercados. Amputamos excessos. Refreamos impulsos. Disciplinamos os galhos que se rebelam. Nada escapa – só a desigualdade. E ainda assim, admiramos – como se fosse natural Dizem que o país precisa crescer. Desde que seja para um lado. Para quê mexer na mesa inclinada, se ela já facilita o jogo? Um conhece a declividade. O outro acredita na neutralidade das regras. Outros, mais zelosos, falam em crescer com responsabilidade. Há ainda os que preferem algo mais modesto: crescer pouco, mas crescer agarrado nas bordas do passado. Cultivando a economia como quem cuida de um bonsai. Amputamos excessos. Refreamos impulsos. Disciplinamos os galhos que se rebelam. Nada escapa. Só a desigualdade, que escorre — feito chorume — nutrindo galhos e exigindo mais poda. Há quem veja nisso um ideal. O sonho — bem passado, alinhado, bem contido. O bonsai não é pequeno por natureza. Ele foi sistematicamente reprimido. ...

Quando o futebol brasileiro perdeu sua essência?

Imagem
  A A      Quando o futebol brasileiro perdeu sua essência? Brasil, que viu craques nascerem da várzea, das quadras de bairros e campinhos de terra, hoje forma “empresários da bola” lucrativos. Eles despontam nos centros mercadológicos “de formação”. Esporte vive crise existencial – e o país, repetidas derrocadas E assim nascia o futebol mais bonito do mundo, feito de requebros de cintura, de ondulações de corpo e de voos de pernas que vinham da capoeira, dança guerreira dos escravos negros. Eduardo Galeano No coração de toda favela brasileira existe um espaço sagrado para os jovens periféricos . Pouco importa se é de terra batida, grama ou cimento. Os campos e as quadras de futebol constituem um dos poucos espaços nos quais os meninos podem existir plenamente . E foi nos campinhos de bairro que se forjaram os maiores jogadores brasileiros que o mundo já viu. Jogadores com muito talento e, acima de tudo, muita personalidade. Mas isso parece ter ficado no passado...