TotalEnergies lucra US$ 9,1 bi com guerra que diz acelerar transição
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TotalEnergies lucra US$ 9,1 bi com guerra que diz acelerar transiçãoA petroleira francesa TotalEnergies passou a projetar o pico da demanda mundial de petróleo entre 2035 e 2040, um ano depois de prever consumo em alta até 2040. O cenário anual foi divulgado nesta segunda-feira (2) e trata a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã como possível acelerador da transição energética, segundo o portal OilPrice. A mesma guerra engordou o caixa da companhia. O lucro líquido ajustado mais que dobrou no terceiro trimestre, para US$ 9,1 bilhões, e US$ 4,1 bilhões vieram da divisão de refino e distribuição, com margens em máximas históricas. Margem de refino recorde no mercado internacional encarece o diesel que o Brasil compra fora. O país importa uma fatia relevante do diesel que consome, e o custo maior nas refinarias estrangeiras chega, com defasagem, ao preço na bomba. Três previsões em três anosO relatório projeta demanda de derivados em platô ao longo da década de 2030, com queda lenta na sequência. O pico fica entre 2035 e 2040. O diretor de sustentabilidade Aurélien Hamelle disse a jornalistas que a queda pode ser mais rápida se as vendas de veículos elétricos seguirem crescendo. O Acordo de Paris exige corte rápido no uso de combustíveis fósseis para segurar o aquecimento perto de 1,5 grau. Um platô até 2035 mantém o consumo mundial próximo do nível atual por mais de uma década. Em novembro de 2025, a mesma companhia previa alta de quase 5% na demanda, para 108 milhões de barris por dia em 2040, e recuo para 98 milhões em 2050. O documento citava o corte parcial dos subsídios verdes nos Estados Unidos, novas autorizações de gás natural liquefeito, usinas a carvão novas na Ásia e a venda mais lenta de carros elétricos. O presidente-executivo Patrick Pouyanné afirmou naquele momento que as chances de um cenário compatível com o Acordo de Paris estavam diminuindo e já eram quase inalcançáveis. Um ano antes, em 2024, a empresa previa o pico depois de 2030. O dividendo do Estreito de OrmuzPelo Estreito de Ormuz passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo, e qualquer obstáculo ali mexe com o frete e com o seguro das cargas. A guerra começou em 28 de fevereiro e travou o tráfego de petroleiros na passagem. Rotas mais longas, frete mais caro e oferta apertada empurraram as margens de refino a máximas históricas. O refino mundial já operava com folga pequena desde o fechamento de plantas na pandemia, o que A TotalEnergies trocou o nome Total por TotalEnergies em 2021 para se apresentar como empresa de energia ampla, do petróleo à eletricidade. No balanço do trimestre, quase metade do lucro veio do refino e da distribuição de combustíveis. A aceleração que a petroleira reconheceA Agência Internacional de Energia projeta cerca de 23 milhões de vendas de veículos elétricos em 2026, perto de 30% dos carros novos do mundo. No primeiro trimestre deste ano, as vendas subiram cerca de 30% na Europa, 80% na Ásia-Pacífico fora da China e 75% na América Latina. Carros só a gasolina ficaram abaixo da metade das vendas globais de veículos novos pela primeira vez no primeiro semestre, com 49%. A mistura obrigatória de biocombustíveis também subiu em vários países,que corrói demanda de derivados. Hamelle classificou de impressionante a aceleração da tecnologia de baixo carbono entre o segundo trimestre de 2025 e o segundo trimestre de 2026, período em que a venda de elétricos disparou. Quem paga a conta no fimNo Brasil, o diesel importado expõe o consumidor às margens praticadas fora, enquanto o etanol e o refino doméstico funcionam como amortecedores. Cada alta de margem no exterior é dinheiro que sai do bolso de quem abastece caminhão, ônibus e carro. A empresa reconhece o avanço dos elétricos e, no mesmo documento, projeta petróleo firme por mais uma década. A conta permite à petroleira se apresentar como parte da solução sem abrir mão de vender combustível fóssil até os anos 2040. O que decide a velocidade do pico é a venda de elétricos na Ásia, na América Latina e na Europa, que a própria companhia agora cita como prova de que o mundo mudou. Até que ela mude de verdade, o barril que financia o discurso verde sai da guerra que o discurso chama de acelerador. | A A |
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